Cuidando da Beleza por LPP

A idade chega para todos. Para alguns chega mais cedo, para outros mais tarde. A percepção da idade também é relativa a atividade que você está fazendo. Por exemplo, para mim, no futebol, eu percebi que a idade tinha me vencido aos 13 anos. Ainda joguei algumas peladas por aí depois disso, mas sempre num espirito muito mais amistoso sem aquela pressão de ter um bom desempenho. Sabia que não tinha mais folego de correr contra os garotos.

Daí não é de se espantar que quando eu fui parado por uma vendedora de cosméticos na minha última visita a Brisbane eu resolvi ouví-la. Bem, foi um pouco isso e um pouco do fato de que eu fico com um misto de vergonha e pena de simplesmente ignorar vendedores que me abordam no meio do nada. Ainda mais essa, que veio batendo papo, perguntando de onde eu era, falando do Brasil, me perguntando o que eu fazia na Austrália, conversando sobre mergulho. Eu sabia que em algum momento ela iria querer me vender algo tão útil quanto um título de capitalização, mas deixei-me enganar.

Mas eu, que não sou otário, tinha um plano. E ele era simples: iria ouvir o que ela tentaria me empurrar e educadamente diria que não tinha interesse. Veja bem: a mulher era uma vendedora de cosméticos. Qual a chance de eu comprar um daqueles cremes?

Ela começou me perguntando que tipo de hidratante facial eu utilizava e ao responder que nenhum ela me perguntou por que. A primeira coisa que pensei foi “Por que sou homem?” e ela completou com um “Só não vale responder por que você é homem” enquanto eu olhava para ela com cara de quem nunca, em hipótese alguma, diria tal coisa. Acho que foi aí que a coisa começou a desandar pro meu lado.

Ainda sem resposta, eu deixei ela passar um creme anti-rugas em volta de 1 dos meus olhos e me mostrar num daqueles espelhos que dá para até a mitocôndria das células do seu rosto onde meu olho sem creme parecia ter 93 anos.

E foi assim que achei NECESSÁRIO pagar 100 dólares num pote de creme da famosíssima marca Seacret (???). E o pior é que minha alegria durou, sei lá, uns 17 segundos. Foi o tempo para perceber que esse creme protege 0,7% do seu corpo e agora(segundo a mesma vendedora) você precisa do resto. É aí que seu inconsciente grita: “É cilada Bino!”. E começam a piporcar os cremes. Creme para o resto do rosto, para as mãos, para o corpo. E se você comprar tudo eles então te empurram um creme que faz esses cremes serem absorvidos melhor pela pele. Segundos antes parecia que você tava investindo no IPO da Apple e de repente você fica com aquela cara de quem comprou o Acre!

Po, nego da indústria coméstica tá de sacanagem. Sério, o creme pra fazer o creme ser absorvido melhor é tipo um jeito da indústria rir da sua cara. Tipo ” Hahahaha, se fudeu otário!”. Aquele mesmo creme que 17 segundos antes era uma coisa mais solúvel e suave que a água é o mesmo creme que ela utiliza para te mostrar como sem o outro creme parece que você passou manteiga na cara. Aliás falando em água, a Água Termal é tipo meu cosmético favorito. É tipo ÁGUA, dentro de um spray de 150 ml por 70 reais. Sua função? Hidrata! Porra, é óbvio!!!! É ÁGUA CARALHO!!!!!

Foi mais ou menos nesse momento que eu comecei a olhar pro meu pote de creme anti-rugas Seacret achando que talvez eu tivesse sido enganado. Sei lá né? Talvez!

“A minha identidade está tão envolvida pelo que eu compro que eu paguei à companhia para anunciar seus produtos!” (Calvin)

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Descobrindo as Maldivas

Depois de passar um ano inteiro viajando para tudo quanto é canto do mundo a trabalho já tem quem faça piadinha que eu trabalho mundo a fora e tiro férias no Brasil. Outros, pior ainda, presumem que eu esteja sempre viajando de férias. Por isso, quando conversava no trabalho que tiraria férias a reação era sempre a mesma: “Férias? De novo?”

Apesar dos protestos, saí sim de férias e vim passar uma semana mergulhando nas Maldivas em uma viagem organizada pela minha escola de mergulho em KL. A idéia era facinante: passar 7 dias dentro de um barco em um dos lugares mais belos do mundo.

A primeira coisa que é legal dizer, é que as Ilhas Maldivas não ficam embaixo da Argentina. Aquelas são as Ilhas Malvinas, da guerra com a Inglaterra e tal. As Maldivas ficam perto da Índia e do Sri Lanka. São 2000 mil ilhas, cuja a maior tem 1,5km de largura por 1km de comprimento (não coincidentemente, é onde fica a capital Male e onde moram 75 mil pessoas). Um carro aqui, serve no máximo para levar pra casa as compras de supermercado e um barco é muito mais útil.

Aliás, sem barco, você nem sai do aeroporto, pois ele já fica em uma ilha separada ao lado de Male. A maior parte das ilhas é tão pequena quanto um campo de futebol e mal cabe o resort que ela abriga(não é a atoa que os quartos ficam em bangalôs que avançam pela água).

Logo na chegada, tivemos que escolher entre os mergulhos mais tradicionais ou os channel dives (mergulhos de canais? é escroto dizer mas ainda não aprendi os termos de mergulho em português).

Ao explicar como seriam os mergulhos dos canais, o Divemaster sempre dizia que são mergulhos com corrente forte(quanto mais corrente, mais peixes/arraias/tubarões/etc) onde você desce e “Hook yourself down there” e apenas assiste ao slideshow (coisas passando na sua frente, mas você não nada com elas, fica parado assistindo.

Veja bem, aqui entra a primeira merda de fazer 63 dos meus 65 mergulhos fora do Brasil. Você recebe sempre as orientações e ingles e as vezes é difícil distinguir uma expressão idiomática de uma literal. Pra mim “Hook yourself”( no literal “se engancha”) era uma expressão para definir “se segura” ou “se agarra” lá embaixo e fica parado. Foi por isso que percebi que me fudi quando desci contra uma corrente filha da puta e vi todo mundo com um gancho fincado no chão pra conseguir ficar parado e eu com a cara de merda igual ao Coiote do desenho naquele segundo parado no ar ao perceber que iria cair do penhasco.

Me segurando como dava

Fiz o que pude, o que significa que agarrei no chão com as mãos o mais forte que dava mas ainda assim as vezes era levado pra longe. Cada vez que a corrente batia de um jeito forte o suficente para que eu não conseguisse me agarrar ao chão(ao menos eu estava de luva) eu era jogado uns 10 metros pra trás e tinha que segurar em outra coisa enquanto girava meu corpo 180 graus horizontalmente pra ficar novamente de frente pro canal. Não vou negar que os movimentos que fiz em muito me lembraram os giros no ar do Tom Cruise em Missão Impossível o que aumentou e muito a minha percepção de badassness desse mergulho. As cicatrizes no joelho (entre outros lugares) deixadas pelos corais que trombei no meio desse caminho só fizeram aumentar essa minha percepção.

Ah sim, pelo visto, o instrutor de mergulho mandou um e-mail avisando em algum lugar que o gancho era mandatório, mas bem, meu sistema de leitura dinâmica falhou dessa vez. Por isso vocês entendem em parte a minha alegria quando descartamos os channel dives e optamos por mergulhar com Mantas e Tubarão Baleia (eles se encontram em áreas opostas e você tinha que escolher um ou outro pra viagem).

Snorkel com tubarão-baleia

E olha, ainda bem que fizemos essa escolha, pois esses dois animais pagam a passagem, a viagem e fazem você querer contar pro mundo inteiro que voce simplesmente TEM que ir lá. Pra ver o tubarão baleia então você nem precisa de mergulhar. Aliás, não mergulhamos. Ele nada tão próximo da superfície que fazemos snorkel com ele mesmo. E no mesmo dia, não mais que 2 horas depois de nadarmos com ele, avistamos 2 enormes Mantas durante o mergulho.

As mantas são arraias de aproximadamente 4/5 metros de largura (algumas podem chegar a 7.5 metros e 2.5 toneladas) que nadam em águas profundas mas eventualmente sobem em alguns arrecifes rasos para se limpar (por isso esses lugares são chamados cleanning stations) e lá ficam rodando próximo do chão por alguns minutos antes de partirem. Isso significa que se você tiver calma e ficar parado ao avistá-la, ela pode ficar nadando em circulos, passando a uma distância tão próxima a você que seria possível tocá-las(o que não deve ser feito) por toda duração do seu mergulho. O momento foi tão mágico que voltamos a esse lugar no dia seguinte, onde vimos outras 4(e depois em um mergulho em local diferente, mais umas duas).

Vimos ainda tubarões, outras arraias, peixes palhaços (Nemos), moreias e etc, mas tudo meio que perde um pouco da graça depois de vermos as mantas tão próximas. A única coisa que realmente tomou minha atenção depois disso foi um enorme cardume (milhares e milhares de peixes pequenos) sendo caçado por um atum no outro/último channel dive que fizemos (dessa vez eu, que não sou otário, arrumei um gancho emprestado). A maneira como eles se movem, todos juntos, se agrupando como uma bola maciça ou se espalhando em um quadrado não tão denso é espantoso. E cada movimento rápido desses milhares de peixes juntos causa um enorme barulho debaixo d’água como um trovão ou um jato passando rapidamente do seu lado.

Por 7 dias essa foi minha casa

Foram 6 dias de mergulho (pois é preciso 24 horas sem mergulho antes de voar e também é preciso navegar de volta a cidade, lavar os equipamentos, etc) intercalados com churrascos em ilhas desertas, nados em águas de transparente em outra ilha e muito tempo para ficar deitado no deck do navio lendo um livro, ouvindo uma música ou simplesmente pegando sol. E a cada parada, era legal ver nossa tripulação pescando nosso próximo almoço ou jantar, fresquinho. E no meio tempo entre um peixe e outro, pescaram um tubarão e uma arraia que foram prontamente devolvidos a água.

E esses dias foram o suficiente, pois mergulhar cansa (digo, fisicamente mesmo). Mas ainda acho que volto aqui um dia, seja para aproveitar um dos resorts maravilhosos, ou seja para fazer os channel dives que os próprios divemasters locais indicam como melhores pontos de mergulho do país(pois teoricamente não fomos na área dos canais bons mesmo de mergulhar onde é possível ver centenas de eagle rays em formação de voo). Mas dessa vez, não vou esquecer o gancho.

Quem se interessar, as fotos estão no meu Facebook

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Resoluções para 2012

Quem me conhece sabe que eu odeio qualquer tipo de baboseira como essa. Mas a verdade é que na falta do que fazer eu resolvi brincar disso ano passado e gostei da brincadeira. Percebi que tornar suas resoluções públicas ajuda e muito a atingí-las. Várias vezes no ano me peguei me cobrando por alguma meta não cumprida. Por isso, resolvi fazer a minha lista de 2012.

Mas antes, vamos dar uma olhada em como ficaram as metas de 2011:

1 – Correr uma Corrida de 10KM – Apesar da meta recorrente, não cumpri. E acabei deixando de correr depois que me mudei para Malásia. Mas é algo que ainda quero cumprir, portanto vira meta de 2012
2 – Correr uma Corrida de 5KM abaixo dos 30 minutos – Feito, logo na 1a corrida da Adidas do Ano. Fui a 29:21 e poderia ter sido abaixo dos 27′ se não fosse o calor infernal do Rio em janeiro. No último KM até parei e descansei caminhando um pouco.
3 – Começar a guardar grana pra comprar um AP pra mim – A meta 5 era 50K, conseguir bater e até ir além. Pena que os apartamentos subiram tipo 200K de preço e to mais longe hoje de comprá-los do que estava 1 ano atrás.
4 – Fazer um curso de fotografia – Não deu tempo de fazer antes, nem tinha como fazer na Malásia. Mas comprei vários livros e revistas e comecei a aprender. Tirar foto no modo manual eu já até sei, quero agora é melhorar na composição das fotos. Não vai pra meta de 2012.
5 – Fazer um curso de mergulho – Fiz 2. O Básico e o Avançado. E foi a melhor decisão dentre todas as que eu já tomei na minha vida! Todo ano vai ter alguma meta de mergulhos daqui pra frente.
6 – Ler mais livros – De todas as metas que não cumpri essa foi a que mais doeu. Li uns 6 livros no ano, mas longe da meta de 1 por mês. Como já tenho uns 8 comprados pra ler, vai ser meta de 2012.
7 – Conhecer pelo menos 5 novos países – Malásia, Cingapura, Vietnã, Camboja, Tailândia, China, Oman e Filipinas. O desafio era conhecer 7. Consegui completar 8.
8 – Pegar meu diploma do MBA de Finanças da Puc – Foi aos 49 do 2o tempo, quando muitos já davam o jogo como acabado, mas consegui. Formei e peguei o diploma. Pra nunca mais!
9 – Beijar alguém que eu nunca vi na vida – Cumprida. Foi mais fácil, ou melhor, mais rápido, do que o esperado. Engraçado que a expressão Meta 9 virou até apelido de menina para alguns conhecidos meus rs. Por isso, vou até manter a meta número 9 sempre como a meta do relacionamento
10 – Trabalhar em algo que eu nunca trabalhei antes – Não cumpri, por que não quis. Decidi ficar mais um tempo, até agora em meados de janeiro e então decidir o meu futuro.

Foram 6 de 10. Passei vai. Em engenharia e média é 5. Mas o que me importou mais foi que as metas mais importantes pra mim eu cumpri e apenas a da leitura eu realmente senti em não ter batido. Bem, feito a prestação de contas, vamos pras novas metas:

Resoluções de Ano Novo – 2012

1 – Voltar a correr 5km abaixo de 30 min e correr uma corrida de 10km – Eu parei de correr e quero voltar. Já me matriculei na Bodytech e volto essa semana pras aulas de running. Agora é manter o ritmo.
2 – Terminar o ano com pelo menos 100 mergulhos – Não vai ser fácil. Tenho 32 hoje. Faltam 68. Isso significa entre 5 e 6 mergulhos por mês. Se faço 2 mergulhos por dia num final de semana, são e média, um final de semana e meio por mês mergulhando. E isso é apenas a primeira das metas de mergulho que estão por vir. A idéia é virar Divemaster daqui 1 ou 2 anos.
3 – Conhecer 3 novos lugares em 3 continentes diferentes – Quis jogar um desafio aqui, já que sei que outros 7 países não serão viáveis. Pra facilitar um pouquinho, vou considerar cada uma das Américas, como um continente.
4 – Terminar o ano na casa dos 70kg – em janeiro de 2008 eu tinha 87 kg. Foram 9 embora no 1o ano, e em média 2 a mais por cada um dos 3 anos seguintes. Hoje vario entre 72kg/73kg. Tá bom, mas abaixar dos 70kg virou minha obsessão! E sem fazer dieta. Só maneirando e correndo.
5 – Ler pelo menos 1 livro por mês! – A meta tem que virar realidade. Vou me forçar a isso. Verdade que Guerra dos Tronos com volumes de 1000 páginas não ajudam na quantidade de livros lido. Mas esse ano eu bato essa.
6 – Postar pelo menos 4x por mês nos blogs (nesse e no Vida Ordinária somados) – Seriam 48 posts no ano. Dois a mais do que eu tive em 2011 com a diferença de que agora eu moro no Brasil e fica mais dificil postar. Pelo menos o Vida Ordinária ajuda a bater esse número com pelo menos metade dos posts.
7 – Juntar um pouco mais de grana – O objetivo é o mesmo do ano passado. O desafio é que esse ano não tem Malásia. E não vale juros de investimentos ou ganhos com ações na conta. É só economia mesmo!
8 – Ir num médico ver minhas costas – Há anos eu tenho lordose, escoliose e todas as oses que você pode ter nas costas. Nunca vi isso. Quase sempre, acordo com dores nas costas. Tá na hora de criar vergonha na cara e ver isso logo.
9 – Vagabundear um pouquinho mas namorar um pouquinho – 11 em cada 10 pessoas me sugeriram namorar como meta. Meu pai, minha mãe e minha irmã me desejaram uma namorada no ano novo (meu pai foi além e me desejou uma em Ubá). Mas colocar meta de arrumar namorada na resolução é uma coisa muito Bridget Jones pro meu gosto. Deixa assim que tá melhor.
10 – Ver pelo menos 50 filmes no cinema – Nos meus anos mais a toa, já tive meta de 100 filmes, Isso dá quase 2 por semana de média. Trabalhando, 50 filmes já é bem agressivo. Mas amo cinema, e acho que vale a pena. Bater a meta 9 ajudaria em muito a bater também essa meta. E aí? Alguém afim de pegar um cineminha?

Além de todas essas, tenho uma meta extra, bi-anual, que é de comprar um AP pra mim até dezembro de 2013. Se isso acontecer ainda esse ano, a meta 7 está anulada, pois o dinheiro juntado será utilizado para pagar o AP né.

Bem, é isso aí! Nos vemos de novo em 2013

“O problema com o futuro é que ele continua se transformando no presente.” (Calvin)

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O Manual do Homem Solteiro

Homem solteiro morando sozinho faz um monte de merda, não tem jeito. Coisas que até Deus duvida passam a ser normal nas nossas vidas e o limite do aceitável é um conceito muito mais abrangente e flexível para nós. Alguns anos atrás eu fiz uma lista de algumas verdades não tão absolutas assim do homem que mora sozinho. Mas como o tempo passa e a sabedoria vem com a experiência, o tempo nos trouxe novos aprendizados.

Portanto segue aqui uma lista de coisas que morando sozinho, mais cedo ou mais tarde você acaba aprendendo que….

- Guardanapo, papel toalha e papel higiênico no final das contas podem e acabam eventualmente servindo pra mesma coisa. Desde que você tenha um deles em quantidade o suficiente em casa, está a salvo em qualquer ocasião.
- Você acaba pedindo pizza não no lugar com a melhor pizza, mas onde a pizza requentada no dia seguinte é melhor.
- Suas roupas se dividem em quatro estágios de limpeza: O limpo, o sujo, o “agora tem que lavar” e o jeans.
- Na ordem de eletrodoméstico que você compra é primeiro a TV de Plasma do seu quarto, segundo o home theater, terceiro é TV de LED da sala e quarto é o Fogão.
- O micro-ondas e não o cachorro é o melhor amigo do homem. A não ser é claro que a frase se refira ao cachorro quente da esquina.
- Seu conceito ecologia consiste em poupar água utilizando-se apenas de copos descartáveis.
- O prazo de validade de alguns produtos funciona mais como um desafio do que como um limite.
- Copo usado pra beber água está limpo, afinal, água é o que limpa o copo.
- Não adianta negar, mais cedo ou mais tarde, você simplesmente para de usar copo pra beber água.
- O jeito mais fácil de achar as coisas na sua casa é ligando para sua faxineira.
- Pedras de gelo não são a melhor maneira de se esfriar óleo fervendo.
- Não importa se a casa está limpa, basta que ela esteja cheirosa.
- Terças-feiras são os dias de se arrumar a cama. Coincidentemente também é o dia da faxineira ir lá em casa.
- A frase diz que dinheiro não traz a felicidade. Mas o Visa Vale traz. Certeza!
- Mulheres fazem lista de supermercado e vão semanalmente repor o que falta em casa. Homens esperam até ter apenas meia banana podre e uma uva chupada na geladeira pra ir ao mercado e comprar todas as guloseimas que ver pela frente.
- Tem algumas coisas que você pode precisar a qualquer momento e então simplesmente as guarda pra sempre dentro do seu carro. Tipo o seu time de futebol de botão.
- Você perde a vergonha de te verem pelado lá pela 13a vez que você percebe que tem alguém olhando da janela do edifício em frente ao seu.
- Peça de decoração pra você são as roupas espalhadas pelos móveis da casa.
- Você descobrirá que dá para substituir a carne pela salsicha em qualquer prato, como por exemplo, no strogonoff.
- Felicidade é ter de quem filar a comida.

“Acho que os adultos só fingem que sabem tudo!” - Calvin

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Farewell Brisbane!

Estive há alguns dias atrás em Brisbane, talvez pela última vez, senão na minha vida, pelo menos no futuro curto. Brisbane pra mim é a comida japonesa das cidades sabe? A primeira vez é ruim, com um tempo você se acostuma e quando passa a gostar tá sempre querendo mais.

Se a cidade já tinha me conquistado com o concurso de camiseta molhada as quartas-feiras do Down Under e a noite com drinks a 3 dólares do The Victory as quintas, Brisbane guardava mais duas surpresas pra mim nessa viagem.

A primeira é que o Pub Down Under também bomba as terças onde há um concurso de camiseta molhada pras meninas, ou seja, com homens no palco. Assim como o concurso de quarta, são pessoas normais, que estão na night e se voluntariam para o concurso em busca de zona e um premio de 300 dólares. Não que eu esteja interessado no concurso dos homens em si, mas a dica é chegar lá depois do concurso, pois o Pub está sempre lotado de meninas. É tipo a versão do Dito e Feito australiano. Eu não fui (fiquei sabendo da dica já numa quarta), mas fica pra eventual próxima vez que eu for a Brisbane.

Meu sacolão Dive Bag Pro!

A outra surpresa é um bar que eu nem sei direito o nome, mas resolvi chamar de Pedaço do Paraíso. É um bar de esportes, com inúmeros telões passando jogos de futebol, NFL e rúgbi, que serve um almoço executivo (normalmente por 5 dólares) e as garçonetes estão topless. É isso mesmo! Eu duvido que uma pessoa consiga descrever um lugar real melhor do que esse. Me falaram que o bar até banca o silicone das meninas. É tipo, futebol, cerveja, hambúrguer e mulheres topless por tipo, 5 dólares!!!!!! Quem criou isso merece um Nobel! No mínimo!

E já que eu estava na Austrália, resolvi aproveitar o final de semana para mergulhar. Fui para Whitsundays que é um conjunto de umas 70 ilhas com praias maravilhosas no nordeste de Queensland e quase um ponto inicial da Grande Barreira de Corais.

Infelizmente, como o intuito era mergulhar não fiz os passeios das praias. Peguei o primeiro dia de mergulho pelas ilhas mesmo. Um barco de mergulho bem equipado, com os mergulhadores chegando com seus equipamentos em bolsas específicas e impermeáveis enquanto eu tava com todo meu equipamento dentro de um saco plástico sendo zuado pela dona do centro de mergulho.

A ideia do sacolão plástico não foi de toda ruim. Como eu não queria comprar direito de bagagem na companhia aérea (e pagar mais barato levando apenas bagagem de mão) eu tive que colocar meu BCD e regulador dentro da sacola mesmo. Caso encrencassem com o tamanho do saco no embarque (afinal eu tinha minha mala também) minha intenção era de simplesmente vestir o BCD e entrar com ele vestido no avião. O Felipe me apoiava, mas disse que caso isso acontecesse ele ia tirar fotos.

No dia seguinte fizemos um passeio maior. 3 horas de barco até Knuckle Reef Lagoon, uma espécie de plataforma fixa no meio do mar, dentro da Grande Barreira de Corais. Eu, novamente munido do meu sacolão de plástico a essa altura meio rasgado, fomos embora.

Foi um dos melhores mergulhos que eu já fiz (e bem melhor do que o feito nas Ilhas de Whitsundays). Logo que caímos na água havia um tubarão que saiu nadando. No caminho muitos e muitos peixes, alguns enormes e outros que davam até pra passar a mão. Corais coloridos também, vários. Mas acho que o mais legal foi um peixe que cuida do seu território e cultiva corais. Com isso, tudo que a gente colocava dentro do território dele, ele ia lá, mordia, pegava com a boca e tirava dali, colocando numa espécie de lixão. Parecia um cachorro indo buscar um graveto que você jogou pra ele. Muito maneiro.

Até que na 4a foto a menina que eu achei que era fotógrafa acertou

Entre os mergulhos fizemos um pouco de snorkel. O lugar que estávamos tinha uma plataforma sub-aquática de vidro onde você via as pessoas mergulhando. Dentro da água, perto do vidro tinha fotógrafa oficial que tirava foto nossa debaixo d’água (mas por 20 dólares cada foto não compramos nenhuma). Eu estava nadando por ali e vi um cara tirando foto com a fotógrafa que estava dentro d’água e se virando pra tirar também com outra que estava dentro da plataforma. Eu, querendo também, fui lá e pedi pra mulher tirar foto. A 1a vez ela ficou só olhando pra mim, com cara de cu. Eu então fiz, debaixo d’água, sinal de foto e para ela esperar que eu iria descer novamente. Fiz isso e dessa vez ela tirou a foto, mas notei que a mulher lá dentro ria muito. Olhei melhor e percebi que não era uma fotógrafa, mas sim, uma pessoa qualquer que estava até então, tirando fotos do namorado. E eu lá, mandando ela tirar mais fotos por que as primeiras não tinham saído boas. Fiquei rindo pra caralho quando percebi, mas por sorte minha a mulher era brasileira e eu consegui pegar as fotos com ela.

Numa rápida saída na noite de Airlie Beach em Whitsundays nos deparamos com mais um concurso de camiseta molhada. Pelo visto Concurso de Camiseta Molhada é o novo karaokê na Australia. O pior foi ver nossa Divemaster do dia anterior no palco como assistente que jogava água nas meninas. Mas o concurso ali foi um pouco mais comportadinho do que o do Down Under. E como era de se esperar, a vencedora era de Brisbane, afinal, nessa modalidade, a cidade já tem anos de tradição.

Na volta, me safei novamente com o BCD que não precisei vestir. Essa semana, indo mergulhar nas Filipinas, vou repetir o esquema, afinal, em time que está ganhando não se mexe.

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China a pão e chá – China by Perrengue Tour – Parte 2

Café da manhã

Comida na China não é a coisa mais fácil do mundo. Não me entenda errado, eu gosto de comida chinesa. Mas uma coisa é a comida chinesa que você pede em casa no China In Box, e outra, totalmente diferente é a que você come na China. Achar um restaurante já é meio dificil. As pessoas lá comem, em sua maioria, na rua. Sério! Você está andando na rua e vê um monte de gente em banquetas de 20 cm de altura ou em posição de cócoras comendo, e as vezes (pasmem!) cozinhando, na rua mesmo. Lavam panela, tudo ali, no meio da calçada em frente da loja ou estabelecimento que trabalham. Além disso, tudo está em letras chinesas né? Não dá pra ver um restaurante muito de longe e quando você acha um tem que ter cuidado pra ver se as comidas não são completamente bizarras (normalmente são).

O pior era o café da manhã. Não tem padaria na china. Se achar um Starbucks comemora. Nosso café da manhã, incluso no pacote da Perrengue Tour consistia de pão de forma, presunto (queijo não existe na China, sério!) e Yakult/Suco de garrafinha. Comprávamos num supermercado/loja de conveniência e tomado sentado na beira da calçada suja de uma esquina qualquer, equilibrando o pão no joelho com medo dele cair no chão junto com as contadas fatias de presunto. O resto do pão de forma a gente guardava pra comer puro no almoço, pois nunca tinha onde comer por onde a gente andava. Pelo menos picolé não faltava, e mais de uma vez almoçamos um Magnum.

Almoço

Os passeios retornaram no dia seguinte que chegamos a Beijing. Depois da nossa aventura que me lembravam o jogo Enduro pelas estradas chinesas nos preparamos para o passeio mais esperados de todos: a muralha da China. No caminho da muralha paramos para ver as Tumbas da Dinastia Ming que eu imaginei que seria um complexo de tumbas grandioso, quase arquitetonicamente singular, mas terminou sendo tão interessanto quanto um passeio pelo cemitério de Ubá, com a diferença que tivemos de pagar ingresso pra entrar aqui.

Mas pelo menos a muralha é fantástica. Fomos em Badaling mesmo, que é o trecho mais pop e mais lotado, mas andamos uns 2km sentido norte (pra direita de quem pega o bondinho) e por esse lado já não tinha quase nenhum turista mais. Eu fico imaginando o tamanho do exército mongol que fez algum imperador chinês achar que construir um muro de 8 mil kilômetros de comprimento era a melhor opção que eles tinham.

A muralha em Badaling

A caminhada é legal, bem como é ótimo sentar lá e apreciar a muralha. Mesmo estando nublado e com alguma névoa foi um ótimo passeio e em um dia ensolarado seria ainda mais maravilhoso. O legal de andar como nós andamos (2km pro norte) é que no final dessa caminhada tem uma outra saída onde você não precisa voltar tudo que desceu a pé (o que era uma preocupação a cada passo que dávamos pra frente). O único problema é que essa saída te deixa em outro lugar (Um Safari Park ou algo do tipo) e tivemos que voltar de Van pra onde o motorista nos esperava.

A noite fomos deixados na Tiamen Square, perto da Cidade Proibida onde andamos e fomos logo abordados por um casal chinês que passava por ali e foi super simpático se oferecendo pra andar com a gente. Combinamos dar a volta na praça, tirar umas fotos e depois irmos tomar algo. Eu logo aproveitei pra puxar a galera e apontar pra um trecho do Guia da China(Rough Guide de novo) que contava de um golpe comum com turistas na China onde jovens simpáticos puxam conversa e depois te levam pra uma casa de chá onde o que você beber vai custar no final uns 200 dólares. Apesar dos protestos dos demais eu os convenci de deixar o casal de chineses com a gente mais um pouco pra ver onde ia dar. Quando já estávamos próximos de uma casa de Chá resolvemos voltar pro hotel (eu insistia em continuar mais um pouco com eles, estava divertido). Vocês não tem idéia de quão bem feitos são esses golpes. Nego é super simpático, não pede nada e as vezes passa horas com você até sugerir sentar pra beber algo. No nosso caso, o cara que estava com a menina tinha tamanho jeito de mongolóide que mesmo depois que fomos embora eu ainda tenho cá as minhas dúvidas se ele tava fazendo parte do golpe.

Cidade Proibida com nossos amigos golpistas

E no início, apesar de sabermos que era golpe, nem sabíamos que era do chá não. Podia ser que nos levariam numa galeria de arte, ou cogitamos que a mulher fosse prostituta também, por isso a curiosidade de saber qual seria golpe. Depois que conversamos com uns gringos que moram lá faz tempo é que soubemos melhor que o golpe era do chá. Depois disso, todo chinês que vinha falar com a gente já tinha quem sarcasticamente se oferecesse pra tomar um chá com eles. E acredite, não foram poucos.

No dia seguinte fomos na Cidade Proibida. Eu queria contratar um guia mas logo me chamaram por que tinham achado um guia em português. Chegando lá percebi que era um guia de uma excursão de brasileiros e a idéia era colar nele pra ouvir a explicação. Como estávamos dispostos a passar perrengue mas não vergonha, logo logo desgrudamos do grupo brasileiro.

A Cidade Proibida é legal e é um passeio que você tem que ir. Pra quem viu O Último Imperador é ainda mais marcante. Mas infelizmente aquilo já foi tão saqueado que perdeu grande parte do glamour e apelo que poderia ter. Uma pena pois era um dos passeios mais esperados por mim. Na saída rolou um perrenguezinho por que um carro furou o sinal e quase atropelou o Victor e eu aproveitei pra chutar o carro em movimento por que fiquei puto. O motorista parou, desceu, discutiu, mas nós eramos 4, ele 1, então não deu nada. Nem demos mais bola também pois estávamos super atrasado pro trem pra Shanghai e chegamos na estação apenas 5 minutos antes da partida dele.

Shanghai é uma cidade que me lembrou muito de Cingapura. Nova, toda cheia de prédios espelhados, alguns de arquitetura um pouco mais clássica e com atrações que te entretem por 1 dia e pronto. A cidade é bonita, bem agitada, com um clima super agradável mas só. Você faz um passeio de barco, anda pelas margens do rio, sobe em um dos prédios mais altos do mundo e pronto. Rola uma noitada boa pra quem curte. No dia seguinte já iríamos para Tai’an, por sugestão da Nathália para subir o Monte Taishan.

O Monte Taishan é um monte sagrado na China. O monte em si é sagrado. A subida demora cerca de 5 horas se feita a pé mas o mais normal é pegar um ônibus até o início de uma escadaria de 6 mil degraus e de lá subir até o topo (demora umas 3 horas). Existe a opção de subir de bondinho mas a Nathália me disse que apenas subindo pelas escadas eu garantiria meu lugar no céu. Eu decidi subir a pé, mas os demais iriam de bondinho. Com isso nos separamos com eles indo comprar a passagem de trem pra voltar a Beijing enquanto eu começava a minha subida. Combinamos que compraríamos um trem por volta das 17 horas e se não nos encontrássemos marcamos as 15 no hotel.

Vi que a decisão de nos separarmos foi idiota 5 minutos depois quando eles levaram meu livro que tinha frases em chinês pra estação e eu não conseguia pegar nenhum taxi. Pra piorar a recepcionista do hotel só falava chinês e escreveu as instruções pra eu chegar lá em letras chinesas. Percebi ainda que se só tivesse passagem mais cedo o pessoal não tinha como me avisar, e meu passaporte estava com eles. Como desgraça pouca é bobagem, descobri que eu tinha esquecido o nome e o endereço do hotel. Seria impossível conseguir voltar pra lá sozinho. Ou seja, a chance de dar merda era 100%.

Os 6000 degraus

Comecei a subir as escadarias mais preocupado do que tudo e depois de uns 50 minutos e 2000 degraus eu pensei que já não aguentava subir mais nenhum e como eu sei que não escaparei do inferno, voltei até o cable car. Lá em cima, sem nem sinal deles, a preocupação aumentava assim como a chance deles terem sido obrigados a comprar passagem pra mais cedo (afinal eles sairam as 8 pra comprar passagem e 12:30 ainda não tinham subido o monte). Foi só quando eu estava começando a descida que encontrei com eles chegando. O taxista deles os deixou em outra rota, longe do ônibus, e depois de desenharem um cable car num papel uma chinesa apontou por um caminho, 2 horas morro acima até o bondinho. Eles não sabiam disso é claro e foram descobrindo por que andavam, andavam e nunca chegava. Só com mais ou menos 1 hora subindo descobriram que tinham pego a trilha a pé, justamente o que não queriam fazer. Nessa última 1 hora, continuaram subindo, me xingando pelo caminho enquanto faziam videos do que eles mesmo chamaram de Perrengue Tour – A prova final.

Os caras tavam tão putos que eu nem contei pra eles ainda que depois de 2000 degraus eu desisti de subir e fui de cable car. Vão saber lendo aqui. Fizeram até video de agradecimento a mim onde você consegue ver o Felipe já no nível puto calado, que nem das brincadeiras participava mais. Ele só subia, de cara emburrada enquanto o Flavio do lado dele ficava dizendo que “A jornada é mais importante que a chegada”.

O monte em si é interessante mas não é nada demais, não sei se valeu a viagem toda só pra ir lá. Mas eu voltaria, em um dia mais ensolarado se tivesse companhia pra subir as escadarias comigo, sem pressa de ter de pegar o trem pra ir embora.

O Perrengue Tour acabou ali pro Felipe e pro Victor que voltaram nesse dia pra KL. Eu e o Flavio ficamos mais um dia que utilizamos pra visitar a Tiamen Square e o Temple of Heaven, super corrido. Como perrengue pouco é bobagem, o taxista que pegamos não sabia o caminho pro hotel e 2 horas antes do nosso vôo decolar ainda estávamos nas ruas de Beijing procurando nosso hotel pra pegar as malas. Paramos no meio da rua e fomos de metrô chegando no aeroporto apenas 1 hora antes do vôo.

Uma hora poderia até ser o bastante em um aeroporto comum, mas na China, aeroporto é igual INSS no Brasil. Umas 15 filas, sendo metades delas você entra apenas pra pegar um carimbo pra poder entrar na próxima fila. Vejam bem, são 1,5 bilhões de pessoas, é preciso inventar emprego público. Sem sacanagem, eu passei numas 2 filas de imigração e pelo menos outras 3 de segurança. Só aquelas de raio-x foram 2. Numa delas confiscaram o Snow Globe q eu compro em todas as viagens pra Mayara. Nunca tive problema nos outros, sei lá, 10 países que comprei a bolinha, mas o que devia ser o 5o membro do Exército da República Popular da China que checava minha bagagem ou passaporte encrencou com ela. E se no Brasil você já não consegue argumentar muito em aeroporto, não vai ser o exército comunista chinês que será o mais flexível né? Então, com medo de ser fuzilado no paredão e a conta da bala debitado do meu cartão de crédito, segui a viagem de volta pra casa sem a bolinha, mesmo por que, depois de tantas filas meu embarque já estava na última chamada enquanto eu corria pelos corredores do aeroporto.

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Ni hao e Xièxiè – China by Perrengue Tour – Parte 1

Uma coisa que qualquer pessoa precisa saber antes de ir pra China é que lá só se fala chinês! Parece óbvio é claro, mas você não tem noção de quanto isso te impacta até você chegar lá. Não adianta nada você falar inglês, francês, espanhol, alemão ou até mesmo esperanto, eles não vão entender nada. E por nada, é nada mesmo! Até palavras quase internacionais como stop, water, ten ou pasmem, Internet, não são compreendidas pelo chinês. Uma vez lá, você pode falar português com eles que dá na mesma. E como a gente só sabia falar Ni hao (Oi) e Xièxiè (obrigado) em chines vocês conseguem imaginar como foi desesperadora a comunicação né?

Ninho de Pássaro

Com isso o jeito era apontar e torcer pelo melhor. No planejamento tudo parece que vai dar certo. Você imprime direitinho o endereço do hotel em chinês (inclusive na escrita de hánzí), chega num taxista, aponta pro papel com toda cara de pimpão e o cara olha o papel e te faz uma pergunta. É aí que fode tudo. Você só consegue apontar de novo pro mesmo papel enquanto o cara desembesta a falar em tom de interrogação e manda um “OK?” no final da frase. Qual outra opção que você tem além de dizer “OK!” e começar a rezar pra Padim Padre Cícero te proteger nesse país de loucos.

O engraçado é que essa barreira linguística não impede dos chineses a falarem com você. Eles simplesmente falam como se você entendesse tudo e fazem cara de bobo alegre quando você aponta pra um papel avisando que não entende chinês, o que não os impede de continuar falando também não. Além disso eles olham pra você como se fosse de outro mundo, pegando o bilhete de trem da sua mão pra ver pra onde você vai, ficando de papagaio de pirata pra ver o que você está lendo, o que está escrevendo no celular ou o que está fazendo. Te olham de cima embaixo como um pedreiro olha pra Mulher Melancia quando ela passa de fio dental indo pra praia na frente dele. A sensação é que você é um ET. Pensei até em falar “Venho em paz, me leve ao seu líder” mas minha mensagem do outro mundo ficaria perdida na tradução.

Isso é claro, junto com todo o perrengue que passamos, é o que faz da viagem ainda mais divertida. Aliás, a viagem foi apelidada de Perrengue Tour desde o início já que decidimos que não pegaríamos hotel nas 3 primeiras noites pra economizar (apesar de tal ato estar listada na minha Murtaugh List – vide post abaixo). A primeira noite seria passada no avião (ok, até aí normal, mas seriam apenas 4 horas e sono já que o vôo é de 5h45m e tem o tempo de decolagem, aterrisagem e comida) mas a 2a e 3a seriam passadas num trem, no trajeto Beijing-Datong-Beijing que fariamos logo de cara. Por precaução resolvemos pegar um hotel pelo menos na 3a noite já que a programação era de chegar de volta a Beijing as 4 da manhã e com hotel poderiamos ao menos dormir até umas 8. Nem parecia uma completa má idéia se não fosse por 1 ponto: onde tomaríamos banho.

O primeiro desafio do banho conseguimos vencer facilmente. Chegando em Beijing arrumamos um lugar onde dava pra tomar banho logo no aeroporto. Seguimos pra estação de trem pra comprar os bilhetes pra Datong apenas pra descobrir que os trens estavam quase todos lotados. A nossa previsão era comprar um trem as 23 horas mas só conseguimos um as 3 da manhã. Fomos ainda deixar nossas malas no locker da estação e vimos a cara de desespero da atendente quando apontamos pra um armário e perguntamos “how much?”. Como Deus proteje os bêbados, as crianças e os loucos (e nós encaixamos no 3o caso) a única pessoa que falava ingles dentro de 1 bilhão e meio de pessoas na china estava contratando um locker na hora e nos ajudou a informar o preço e o horário de funcionamento do locker.

No primeiro dia fomos ao Palácio de Verão(Summer Palace) do Imperador que é tipo uma Quinta da Boa Vista de Beijing só que maior e bem, mais antigo. Na entrada não conseguimos achar o portão e um pouco perdidos no meio do nada resolvemos perguntar pra única chinezinha que passava por ali apenas. Usando o dialeto Tarzan, muito útil em qualquer viagem a Ásia, mandamos um “Ni hao! Summer Palace?” apenas para ouvir “I’m from Austria!”. Fail! O Palácio é legal e vale a visita, mas é mais gostoso se visto como um parque onde você pode andar sem hora pra ir embora, tomar um sorvete, ler um livro de repente. E tem os templos que são divertidos.

A noite fomos no centro olímpico ver o lindo estádio do Ninho de Pássaro e o Cubo D’água. Até hoje a área fica lotada. Não sei se é só pra mim que curto esporte e estádios mas acho que vale muito a pena, principalmente o Ninho de Pássaro. É lindo de dia e também com a iluminação a noite. Ao lado tem um prédio da IBM em formato de tocha olímpica, bem legal. Dali fomos de volta pra estação pegar as malas pois os armários fechariam e terminamos a noite matando tempo no bar do terraço do Emperor’s Hotel que acabou não tendo nada demais, mas sendo um lugar bem agradável e não caro pra ir.

Noite de Sono na Perrengue Tour

De volta a estação por volta da 1 da manhã notamos que haviam pessoas dormindo em todos os lugares que inclui o chão, a rua, qualquer coisa que se pareça com um encosto. A fila para o trem parecia inscrição pra emprego de gari no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas estranhas amontoadas em um lugar que lembrava de longe o Catumbi(região em volta do sambódromo) ferozes pra conseguir um lugar no trem. O primeiro trem que saiu de madrugada levou metada da mulambada e eu apenas dei graças a deus por não estar indo pro mesmo lugar que essas pessoas. Apesar da cena dantesca, o sono, de quem dormiu cerca de 4 horas sentado numa poltrona de avião já vencia a batalha contra as pernas cansadas e estávamos seriamente cogitando deitar naquele chão de concreto sujo mas acabamos por cochilar num barzinho que exigia que consumíssemos, o que fizemos com prazer: uma coca cola e quatro copos por favor!

No trem compramos uma cama para podermos dormir em um vagão privado, mas foi com alguma surpresa, e pesar, que descobrimos que o vagão privado era privado pra 60 camas, empilhadas beliches de 3 lugares cada no que parecia ser um misto de alojamento militar com prisão. Os colchões eram tão limpos quanto o chão da estação (eu coloquei minha toalha pra cobrir pelo menos o travesseiro enquanto outros optaram por dormir com a cabeça na mochila) e cheio de figuras bizarras que nos encaravam como os novos detentos do presídio. O Victor tinha certeza que seria assaltado naquele trem. Se algum dia eu corri o risco de ser esfaqueado e largado pra sangrar até a morte, esse era o dia.

Mas é aquela coisa né, o sono era tão grande que em 5 minutos todos dormiam, alguns já abraçados no travesseiro ou enrolados no edredom que parecia(fui bondoso aqui, na verdade eu tenho é certeza) usado por algum chinês que deitou suado na nossa cama antes de embarcarmos(o trem vinha de outra cidade e Beijing era apenas uma parada no meio do caminho). E chegando em Datong ainda não tínhamos onde tomar banho(sem hotel, lembram?). Era a Perrengue Tour dando suas caras na segunda noite.

Apesar do perrengue, Datong é fantástica e vale o sacrifício. Na chegada da estação tivemos o perrengue básico do idioma mas meu guia da China (Rough Guide, sempre) já ensinava onde ir e o que fazer e conseguimos um agente de viagem da CTIS(eles ficam no hotel que eu acho que chama Tajita ou algo parecido, num beco de uma rua a direita da estação) que arrumou um tour privado pra gente (o busão deles já tinha saído), lugar pra tomar banho, deixar as coisas e ainda foi comprar passagem pra gente voltar pra Beijing. No final, não tinha passagem de trem e ele arrumou alguém pra nos levar de carro (eram 6 horas de trem mas apenas 300km de carro).

Budão de Datong (1 de 1000)

Datong tem basicamente 4 coisas pra ver, sendo 2 delas imperdíveis. Das que não fizemos questão de ver havia o pedaço da Grande Muralha que passa pela cidade (já todo revitalizado e sem nada do original, parece que foi construído ontem) e a parede dos 9 dragões que deixamos pra ver a original na Cidade Proibida. As imperdíveis são os Hangling Temples(literalmente Templos Pendurados), que são templos construídos do lado de um penhasco e escorados por madeiras que você tem 100% de certeza que vão cair e as Yungang Grottoes que são grutas em montanhas lotadas de enormes esculturas de Buda na pedra. As esculturas são impressionantes, seja pelo tamanho, pelos detalhes ou pela quantidade, todas feitas na própria montanha. Lembrei muito da minha irmã em Datong, mais do que em qualquer outro lugar da China, pois achei que ela ia adorar as grutas.

Na volta para Beijing naquela noite experimentamos um pouco do trânsito lunático da China. Nosso motorista ziguizagueava na pista, cortando pela direita, esquerda e acostamento se necessário, sem nenhum problema. Quando havia engarrafamento na pista ele simplesmente pegava a contra-mão da pista mão dupla (e única de cada lado) e seguia como nada tivesse acontecido e deixava que os carros do outro lado desviassem dele. Em algum momento ele chegou ao cúmulo de ultrapassar um caminhão que também estava na contra-mão usando o acostamento da contra-mão pra isso. Direção super defensiva. Mas como vocês já sabem que Deus protege os bêbados, crianças e loucos, nada aconteceu com a gente e chegamos normalmente no nosso hotel em Beijing. Seria nossa primeira noite em uma cama de verdade na viagem, uma cortesia da Perrengue Tour.

continua na Parte 2(…)

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